terça-feira, 13 de novembro de 2018

PALESTRA SOBRE A PARAMILOIDOSE



Hoje, dia 12 de novembro, no nosso Instituto viveu-se uma tarde diferente, proporcionada pelo Dr Carlos Moreira, distinto médico de Vila do Conde.
Veio falar-nos de paramiloidose: uma doença que afeta muitas famílias portuguesas, especialmente no Litoral Norte, sendo o grande núcleo Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Em Barcelos há também algumas famílias vítimas da doença. E digo famílias, porque é uma doença familiar degenerativa e tem origem num erro no cromossoma 18, um cromossoma essencial. É uma polineuropatia amilodótica familiar (PAF). E, na mesma família, pode haver indivíduos doentes e indivíduos saudáveis, dependendo da combinação cromossómica que o individuo vá buscar aos progenitores.
É também conhecida por “doença dos pezinhos”, pois os primeiros sintomas são a perda da sensibilidade das fibras nervosas a nível das extremidades dos membros inferiores. Manifesta-se por volta dos trinta/quarenta anos (parece que, nas novas gerações, cada vez mais cedo) e segue uma evolução progressiva degradadora do organismo do indivíduo, que começa por perder a sensibilidade, seguindo-se a motricidade, e assim se vai deteriorando progressivamente a sua qualidade de vida, até que advém morte. E esta resulta em mais ou menos doze anos após os primeiros sintomas, se a doença seguir a sua evolução natural. 
Felizmente já há algum tratamento que consegue prolongar e aumentar a qualidade de vida dos doentes: começou-se com o transplante do fígado, visto a proteína que transporta o erro genético ser a transtirretina, produzida em mais de 80% pelo fígado. Os transplantes hepáticos fazem-se já há mais de 20 anos, com todas as dificuldades e riscos inerentes à obtenção do órgão e à sua rejeição, ou não, pelo organismo. Mas, atualmente, já há alguma medicação que atrasa a evolução natural da doença. Há tratamento para..., mas ainda não há cura.
O primeiro doente conhecido terá aparecido há mais de quinhentos anos na Póvoa de Varzim. E há quem discuta que o foco da doença terá nascido na Póvoa do Varzim e daí terá sido levada ao mundo pelos portugueses nas frotas pesqueiras e com os descobrimentos; e há quem diga que foi trazida pelos Vikings na Idade Média, e levada a algumas partes do mundo pelos Portugueses.
Foi estudada e descrita, na década de cinquenta, pelo Professor Corino de Andrade, Médico Neurologista, e por isso é também conhecida por Doença Corino Andrade.

sábado, 10 de novembro de 2018

O MAGUSTO



Chovia, o vento soprava, mas no interior do IAESM fazia-se sentir um tempo bem luminoso, iluminado pelo sol que fulgurava saído do coração de cada um, alimentado na chama da amizade, da alegria, da partilha e do convívio. E o som do acordeão do sócio Joaquim Carvalho e do cavaquinho do sócio José Joaquim Capa, acompanharam as vozes dos presentes em canções populares, bem ritmadas e alegres, neste convívio organizado em volta das castanhas assadas que a tradição impõe nesta época do ano. Cantou-se, dançou-se, conversou-se e gargalhou-se. Festejou-se o S. Marinho com alegria, castanhas e vinho, e uma mesa recheada de doces e salgados trazidos pelos sócios e pelas sócias, que em grande número se fizeram presentes apesar do tempo desagradável que acompanhou a tarde deste dia. E, à medida que chegaram, foram depositando sobre o tampo da mesa rectangular colocada logo à entrada da sala - para sobrar espaço onde cada um pudesse expandir a sua alegria - azeitonas, nozes, bolas de carne, bolo de diospiro e nozes, bolo rainha, pataniscas, queijos, biscoitos, boroa e muito mais. Petiscos que se ofereciam sedutores, cativando os olhares dos convivas em volta, que não resistiram ao convite apetecível e regalaram o paladar trincando, mastigando, envolvendo em saliva, volteando-os na boca de um lado para o outro…, de um lado para o outro..., pedaços dos seus corpos gostosos.
Julgo poder afirmar que foi mais uma tarde bem divertida e alegre, de entre as muitas que temos passado no nosso IAESM.
09/11/2018

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

CONVERSAS ÀS SEGUNDAS, NA QUARTA



Hoje caminhámos pela toponímia da cidade Barcelos, graças à pesquisa do sócio e colaborador António Sousa. Nas suas “CONVERSAS ÀS SEGUNDAS, NA QUARTA”, que acontecem na quarta segunda-feira de cada mês, este mês encaminhou-nos pelas vidas das personalidades ilustres que cederam os seus nomes às vias que circulam pelo corpo urbano desta cidade. E, assim, partindo da Sede do nosso Instituto na rua (que mais parece praça) Sellés Pais, espreitámos a vida de Joaquim Sellés Paes de Villas Boas, nascido em Madrid a 11 de Fevereiro de 1913 e falecido em Lisboa a 14 de Maio de 1991. Foi oficial do exército, etnógrafo, arqueólogo, crítico de arte, colecionador, etc. Foi o promotor do atual Museu de Olaria de Barcelos ao oferecer à Câmara Municipal uma coleção de mais de setecentas peças da olaria barcelense, que recolheu, identificou e catalogou.

Daí caminhámos para a Praça Costa Leite. O nome foi-lhe cedido por Manuel Costa Leite, 1º Visconde de Oliveira. Nascido em Barcelos a 12 de Abril de 1813, faleceu no Porto a 18 de Setembro de 1896. Foi médico ginecologista e grande benfeitor da Santa Casa de Barcelos.

Seguimos para a Rua Gonçalves Torres, pintor e retratista barcelense. Nasceu em Areias de Vilar a 6 de Maio de 1909 e faleceu em Braga a 3 de fevereiro de 1987. Produziu cenários para peças de teatro, caricaturas para jornais, cartazes, folhetos para as Festas das Cruzes, etc.

Prosseguimos pela Rua D. Maria José Novais, senhora de grande cultura, muito dedicada à solidariedade e à benemerência. Nasceu em Silveiros, Barcelos, a 29 de abril de 1896, e faleceu a 1 de janeiro de 1982. Foi Deputada e Vereadora da Câmara Municipal do Porto. Fundou a Escola do Serviço Social do Porto, o Abrigo de Nossa Senhora da Esperança, para mulheres idosas, doentes incuráveis. Em Barcelos fundou a Casa de Santa Maria. Foi agraciada pelo Governo com a Comenda da Ordem de Benemerência e foi a primeira mulher a receber a Medalha de Ouro da cidade do Porto

Dirigimo-nos agora à rua Padre Lamela, cujo nome lhe foi cedido por Bonifácio Elias Lamela, que nasceu em Barcelos a 11 de novembro de 1878 e faleceu a 9 de fevereiro de 1966. Foi padre, capelão da Confraria de Nossa Senhora do Terço, proprietário do jornal “Deus e Pátria", e fundador do Círculo Católico Operário de Barcelos e da JOC – Juventude Católica Portuguesa.

De seguida entrámos pela avenida D. Nuno Álvares Pereira e pela vida desse grande Herói da batalha de Aljubarrota, decisiva na Guerra da Independência contra os espanhóis, durante a crise de1383-1385. Foi também conhecido por Santo Condestável. Nasceu a 24 de junho de 1360, em Cernache de Bonjardim (?), concelho de Sertã, e faleceu no Convento do Carmo, em Lisboa, no dia 1 de abril de 1431, para onde se retirou, onde se fez carmelita e viveu durante os últimos anos da sua vida. Entre outros títulos nobiliárquicos, foi 2º Condestável do Reino, 7º Conde de Barcelos, 2º Conde de Arraiolos e 3º Conde de Ourém. Beatificado em 23 de janeiro de 1918, sob o nome Beato Nuno se Santa Maria, foi canonizado a 26 de abril de 2009.

Passámos à Rua Pedro de Barcelos e entrámos na vida do navegador Pedro de Barcelos ou Pedro Mariz Pinheiro (sem prova documental), que lhe deu o nome. Nasceu em Barcelos em meados do séc. XV e faleceu na Vila da Praia, Açores, a 10 de Abril de 1507. Foi escudeiro, navegador e pioneiro na exploração da costa do continente americano, e descobridor da Gronelândia.
 Planisfério de Cantino - imagem da Wikipédia

Essa expedição está bem representada no Mapa Cantino de 1502.


Seguimos pela rua Felgueiras Gayo, que deve o seu nome a Manuel José da Costa de Felgueiras Gayo. Nasceu em Barcelos a 25 de junho de 1750 e faleceu em Vitorino de Piães, Ponte de Lima, a 21 de novembro de 1830. Foi juiz em Barcelos, e foi um notável Linhagista ou Genealogista (como quisermos dizer) com uma obra em 33 volumes que deixou à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. Foi também vereador da Câmara Municipal de Barcelos.

Entramos agora na avenida Paulo Felisberto. O nome deve-o a Paulo Felisberto Peixoto Fonseca, nascido em Barcelos no dia 14 de dezembro de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro, a 3 de novembro de 1947, para onde foi com apenas 12 anos. Estabeleceu-se no comércio aos 18 anos e fez grande fortuna. Casou com uma brasileira, mas não teve descendentes. Fez grandes doações tanto a Portugal como ao Brasil, e Barcelos deve-lhe a construção da Cadeia Nova e a remodelação da Cadeia Velha. Em Portugal foi condecorado com a Grã-cruz da Benemerência da Ordem da Instrução e Benemerência e, no Brasil, com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Chegamos à Avenida João Duarte e daí à Travessa com o mesmo nome. Receberam-nos de João Duarte Veloso, que nasceu em Barcelos a 19 de Março de 1888 e faleceu no Porto a 18 de Março de 1966. Foi, como sabemos, o grande precursor da Indústria Têxtil em Barcelos, fundador das fábricas Fiação, Barcelense e Tebe, que foram a grande escola onde se formaram quase todos os empreendedores da Indústria Têxtil da região de Barcelos, que teve grande peso na Indústria Têxtil Nacional no séc. XX. Mas também fundou as fábrica de S. Brás e a do Amial, no Porto, e da Fil em Leça do Balio.

E eis-nos na rua João Nepomuceno. Recebeu o seu nome do Dr. João Nepomuceno Pereira da Fonseca e Silva Veloso, Senhor da Casa de Torre de Moldes, em Remelhe, casado com D. Francisca Isabel Cabral Limpo Brito Guerreiro de Aboim, de Aljustrel. Foi Juiz de Fora, e foi Ouvidor da Comarca de Barcelos. Aquando das invasões francesas foi acusado de jacobino e, portanto, traidor, tendo sido fuzilado em Arcos de Valdevez. Por sentença do Tribunal da Relação do Porto, de 15 de Março de 1810, a sua memória foi reabilitada, e foi reconhecido que a sua influência pessoal e o exercício do seu cargo livrou a vila de Barcelos dos vexames que os invasores infligiram às terras invadidas, sendo-lhe reconhecidas as suas altas qualidades de cidadão, amante da sua pátria, defendendo-a e prestando-lhe valiosos serviços.

Como a hora já vai adiantada, e o cansaço já pesa, completaremos o percurso na próxima “Conversas à Segunda, na Quarta”


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

VISITA DE ESTUDO AO MUSEU DO BRINQUEDO PORTUGUÊS EM PONTE DE LIMA


Os olhos iluminam-se na luz que ilumina o dia e na bordadura do caminho que se faz e nos leva ao Museu do Brinquedo Português, em Ponte de Lima, onde ingressámos na máquina do tempo e, numa corrida para trás, recuamos ao tempo mágico da infância de pelo menos três gerações: a dos nossos pais, a nossa e a dos nossos filhos.
Seguindo a trajetória evolutiva do brinquedo, passeamos nele pelo tempo e pelos materiais que foram sido utilizados e aí estão representados desde os finais da segunda metade do século XIX até 1986, e vão desde a madeira ao plástico, passando pela folha de flandres, pasta de papel, trapo, alumínio, etc. E assim podemos ver os baldinhos de praia em madeira, folha de flandres e plástico; as bonecas em trapo, pasta de papel e plástico; os fogões as máquinas de costura, os ferros de engomar a brasas de carvão, em folha de flandres e em plástico; as mobílias, os carros, as trotinetes, os camiões, os piões, os soldadinhos de chumbo, os aviões, os barcos… São centenas ou, se calhar, milhares de brinquedos ali expostos, que nos conduzem pelos caminhos da infância e nos trazem lembranças dos brinquedos que tivemos, das traquinices e brincadeiras que fizemos e dos amigos que nos acompanharam nesses tempos de crescimento, tão importantes na formação do ser humano. É uma coleção particular e pertence ao senhor Carlos Anjo, com o qual a Câmara Municipal de Ponte de Lima estabeleceu um protocolo instalando o Museu do Brinquedo Português, na casa do Arnado, na margem direita do rio Lima, junto à ponte romana. Abriu ao público em 2012.
Esse senhor é funcionário da justiça e conseguiu este grande espólio percorrendo as fábricas de brinquedos que foram falindo, os bazares, as feiras, etc.
Finda a visita atravessámos as duas pontes que atravessam o rio Lima neste local e, passando para a sua margem esquerda, passámos um delicioso fim de tarde a lanchar, em amena cavaqueira, usufruindo do cenário delicioso das margens do Lima iluminadas pelo sol radioso que iluminou o dia.
Julgo poder dizer que foi mais uma tarde de convívio e boa disposição, de que muito beneficiou a nossa saúde psíquica e, consequentemente, a física também.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

ANIVERSÁRIOS DE JULHO, AGOSTO E SETEMBRO




Mais uma tarde de saudável convívio, polvilhado com uns pozinhos de cultura, aconteceu no IAESM, ontem, dia 1 de Outubro.
Houve anedotas, poesia e fado, e o alegre convívio à roda da mesa repleta com os variados petiscos que cada um levou para repartir com todos. 
Foi a Festa de Aniversário dos sócios que festejaram o seu Aniversário nos meses de julho, agosto e setembro.
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DUARTE PACHECO


 Retomamos as conversas em setembro. Não com um tema local, mas nacional.
Desta vez falamos sobre Duarte Pacheco. Figura ímpar no panorama governativo português, apelidado por muitos, como o homem que modernizou Portugal.
Ficamos a saber que Duarte Pacheco nasceu em Loulé, a 19 de abril de 1999, tendo falecido num desastre de viação a 16 de novembro de 1943.
Foi um homem de um dinamismo fora do comum. Senão vejamos: com 27 anos assume a direção do Instituto Superior Técnico em Lisboa. Logo de seguida propõe a construção de novas instalações para o Instituto, tendo-o inaugurado 4 anos depois.
Entretanto tinha passado pelo governo como Ministro da Instrução Pública.
De 1932 a 1936, então já como ministro das Obras Públicas e Comunicações, determina a publicação de mais de 600 diplomas que dão azo a um ambicioso projeto de modernização do país.
É criado o Comissariado para o Desemprego, de modo a que mão-de-obra desocupada pudesse servir para a construção de novos edifícios. Assim, desenvolve um extenso plano de construções, escolares, rodoviárias, marítimas, ferroviárias e aéreas, de saúde, as telecomunicações e os Correios, a criação da Emissora Nacional, um programa de restauros dos monumentos nacionais, de modo que fosse valorizado o passado cultural e histórico do país.
Para a realização de tão ambicioso projeto contou, para além do apoio do executivo, então liderado por Oliveira Salazar, de um vastíssimo apoio de arquitetos, engenheiros, e técnicos de norte a sul de Portugal.
Foi pois, pelo seu dinamismo, inteligência e resiliência, um exemplar governante de que Portugal se tem que orgulhar.


quinta-feira, 4 de outubro de 2018


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cartaz da autoria da Professora Matilde Luiz
Está reativada a disciplina de Trabalhos, denominada agora de Trabalhos Manuais, que abrangerá várias áreas. Nomeadamente: costura, trabalhos de colagem em tecido, confeção de bonecos, e muito mais. 
O ensino/aprendizagem destas matérias implica a intervenção de várias sócias, que solidariamente se dispõem  a partilhar os seus saberes. Para elas o nosso bem-haja.

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sábado, 15 de setembro de 2018

ACABARAM-SE AS FÉRIAS

Pois é! Acabaram-se as férias.
É já na segunda-feira que nos reencontraremos para matar saudades e recomeçarmos as atividades e convívios, tão benéficos à nossa saúde mental e física. E quem vai abrir a porta, logo às nove e meia (da manhã, claro!), é o nosso grupo dos cordofones. Prosseguiremos depois às 15 horas com as cadeiras habituais de segunda-feira, tendo em conta a semana do mês.